segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Florenciana no. 3 "Expoente"

Rua Florêncio de Abreu com a Rua Paula Souza. Na parte térrea do casarão,
funciona o restaurante Expoente, desde 1944.






sábado, 17 de janeiro de 2015

Restaurante Parreirinha (crônica)

Em 2000 ou 2001, ocasionalmente eu passava pela General Jardim voltando do meu horário de almoço. Me chamava a atenção um restaurante que exibia um grande peixe na vitrine, que até hoje não sei se era de verdade. Fazia lembrar um tucanaré. Eram poucos segundos para observar o movimento lá dentro, a pouca luz e as sexagenárias figuras trajadas de terno branco (?) e calça preta, se dobrando para atender e servir as mesas. Isto é tudo que lembro deste lugar, além do letreiro quase à minha altura: "Parreirinha". 
Nunca cheguei a entrar ali, tampouco pensei em deixar algo registrado. Naquela época eu achava estes lugares apenas interessantes. E também imaginava que fossem eternos. 
Mais de uma década se passaria para que lembrasse do extinto restaurante em um balcão na Roosevelt. Tempo suficiente para eu achar que a casa tinha funcionado na Marquês de Itu - e assim culpar uma loja de materiais artísticos pela substituição. O mais velho da conversa - sem me corrigir o endereço -, confirmaria: "O Parreirinha? Ô! Antiiiiigo...". Algo assim. 
Tempos depois, outro balcão, desta vez num cubículo da Rua Araújo. Na metade que era dos fregueses, um habitué embriagado me dissera que o velho restaurante tinha sido frequentado por Silvio Santos. Não duvidei. Conheço um costureiro que trabalha há décadas na região e que afirma ter visto ocasionalmente o jovem apresentador em seus tempos de rádio. E de fato, algumas peças se encaixam: Cesário Mota Jr, Rádio Nacional, Rua das Palmeiras, etc. 
Verdade ou não, certo é que outro dia vi o Rolando Boldrin mencionando o Parreirinha em seu programa na TV Cultura, ao lado de outras casas tradicionais.
Restaurante Parreirinha, não sei por quanto tempo existiu.
Quem sabe "Sr Brasil"? 
São Paulo, 20/10/2014

Rua General Jardim, 284

Já em 2015, encontrei algumas referências na internet falando sobre este extinto restaurante. A melhor delas encontra-se no livro "Noites Paulistanas", (páginas 65-68), de Helvio Borelli, com um capítulo dedicado especialmente ao lugar.
O Parreirinha encerrou as suas atividades no começo de 2001, "devido à falta de clientes afugentados pela insegurança no centro da cidade". E, infelizmente, este parece ser o destino de muitos outros que ainda sobrevivem. 
Descobri que o primeiro endereço foi na Rua Conselheiro Nébias, entre 1927-1965, sendo depois transferido para a Avenida Ipiranga, ao lado do Cine Marabá, onde ficou até 1978, antes de ir para a Rua General Jardim - tema deste post.
O texto de Helvio Borelli fala de um lugar muito agitado, boêmio, 24 horas, frequentado por muitas personalidades da época - especialmente do meio artístico. A lista é muito grande e assim opto em citar apenas os nomes conhecidos de uma pessoa prestes a completar 36 anos: Inezita Barroso, Adoniran Barbosa e Ataulfo Alves foram frequentadores assíduos. O texto também menciona Ronald Golias, Paulinho da Viola, Ari Barroso, Angela Maria, Martinho da Vila, Jamelão, Lupcínio Rodrigues, entre muitos outros. Mas certamente estes já não eram da época da General Jardim.
Pelo sobrenome dos sócios (Dias Coelho) e pelo famoso cardápio da casa, presumi a origem portuguesa. Muito conhecidas eram as rãs, além dos sofisticados peixes e frutos do mar. Mocotó, dobradinha, rabada, e uma tradicional feijoada que começava ser servida a partir das 22:00 hs das terças e sextas-feiras.
É. Devemos à Helvio Borelli aquele que talvez seja um dos mais completos registros de um precioso lugar que poderia estar aberto até os dias de hoje. Ainda assim, outras histórias foram encontradas.
Da época da Conselheiro Nébias - era na esquina com Avenida São João - Miguel S. G. Chammas, em Memórias Gustativas, fala da "pavesa", uma entrada feita de caldo de carne bem quente com um ovo parcialmente cozido dentro deste próprio caldo. Sem deixar de citar as famosas rãs, lembra de um interessante prato que lá era servido: miolo de boi à milanesa. 
E por fim, do período na Ipiranga, Silvio A. Neves, em São Paulo de Minhas Memórias, confirma a fama dos peixes, frutos do mar e das rãs - expostas na vitrine refrigerada -, que chamavam a atenção de muitos que por ali passavam.